Um dia após o aumento da taxa básica de juros nos Estados Unidos, o mercado desabou por completo – e o Bitcoin (BTC) não ficou imune. De fato, o preço da criptomoeda chegou a cair quase 10%, em linha com várias empresas listadas na bolsa.

A Tesla, por exemplo, viu suas ações caírem 9,25%, enquanto a Amazon caiu mais de 8%. Já criptomoedas como o Ether (ETH) e a BNB caíram 8,3% e 7%, respectivamente. No total, o mercado de criptomoedas perdeu quase R$ 2 bilhões em liquidações apenas nas últimas 24 horas.

Será que o BTC passou de reserva de valor a ativo de risco, juntamente com as ações de tecnologia? De acordo com os gráficos de correlação, é esta a visão que o mercado possui no momento. Confira de quais formas isso pode trazer impactos no preço a médio prazo.

Forte queda pós-aumento de juros

Após a queda de quase 10%, o preço do BTC voltou para a região de US$ 35 mil. Este é o menor preço atingido pelo BTC nos últimos dois meses. O preço atual está apenas 10% acima do nível mais baixo deste ano, atingido em janeiro.

O aumento das taxas de juros é a maior preocupação para o mercado financeiro. Na quarta-feira, o Federal Reserve (Fed) realizou o segundo aumento de juros em 2022. A taxa básica dos EUA foi aumentada em 50 pontos-base (0,5%), o maior aumento individual realizado em 20 anos.

Para combater a inflação desenfreada, o Fed deve manter os ciclos de alta ao longo do ano e também cortar liquidez. Ou seja, o Fed pretende vender ativos de seu balanço no mercado e não mais emitir dinheiro.

Correlação entre Bitcoin e Nasdaq

Com essas políticas, os investidores passam a buscar a segurança da renda fixa americana, sobretudo os títulos públicos. Em contrapartida, os investimentos considerados de maior risco são liquidados. E é aqui onde o BTC e a Nasdaq se encontram.

O gráfico de um dia da BTC mostra que a última queda do token começou em torno do mercado do mercado dos EUA. Tanto o composto da NASDAQ quanto os índices da Nasdaq 100 também perderam cerca de 5% na quarta -feira.

As ações de tecnologia são sensíveis ao aumento das taxas, pois isso faz com que seus ganhos futuros pareçam menos atraentes. O BTC também é atingido por esta percepção, já que a criptomoeda – ao contrário de ações e títulos – não paga juros.

Dessa forma, o BTC tende a se comportar mais como uma ação de tecnologia e seguir os movimentos do setor. O gráfico abaixo compara o preço do BTC com os dois maiores índices de tecnologia dos EUA, o Nasdaq Composite e o Nasdaq 100. Perceba a forte correlação entre o preço da criptomoeda e a cotação dos índices (em pontos).

Política monetária é obstáculo ao Bitcoin

Os Estados Unidos não são o único país que elevou as taxas de juros. O Banco da Inglaterra também aumentou sua taxa básica, bem como os bancos centrais de Austrália e na Índia.

Nos três casos, os bancos citaram o mesmo problema dos EUA: a ameaça crescente da inflação. O único que segue inerte é o Banco Central Europeu (BCE), cujas taxas de juros estão em -0,4%. Sim, isso mesmo: a Europa está com juros negativos, e até o momento o BCE não sinalizou que pretende mudar isso.

Nesse ambiente, os comerciantes tendem a preferir ativos com mais exposição à economia real, como commodities, serviços e bens básicos do consumidor. As ações de tecnologia e ativos de risco geralmente são evitados.

Como tal, é provável que o BTC e o mercado de criptomoedas vejam um período de fraqueza, pelo menos até que os bancos centrais possam trazer inflação ao normal.

Por: Luciano Rocha

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