Mesmo com a forte queda no preço do Bitcoin (BTC), os investidores seguem dispostos a não vender suas moedas. De fato, houve uma retirada maciça de 15.794 mil BTC da Coinbase nas últimas 24 horas, o que corresponde a cerca de R$ 3 bilhões na cotação em reais.

Se as exchanges registram perdas de fundos, os ETFs de Bitcoin seguem no caminho inverso. O analista Jan Wüstenfeld destacou que o ETF Purpose recebeu a maior entrada diária de BTC desde seu lançamento. Foram 2.900 BTC recebidos nas últimas 24 horas.

A saída de fundos de uma exchange e a entrada em um fundo trazem um sinal de alento em meio a dias bastante difíceis para o mercado. Mesmo com as desvalorizações recentes, os grandes investidores ainda estão dispostos a manter seus BTC e não vendê-los.

Menos 20 mil BTC no mercado

De acordo com o site de rastreamento Whale Alert, a retirada ocorreu em duas transações separadas. Na primeira foram movidos 7.794 BTC, ou R$ 1,48 bilhão. A segunda transação movimentou 8.000 BTC, ou cerca de R$ 1,52 bilhão.

Os fundos foram enviados para uma mesma carteira, cuja identidade é desconhecida. Mas conforme dados do BitInfoCharts, o endereço possui 19.244 BTC, o que corresponde a quase R$ 3,5 bilhões. No total, o endereço recebeu somente três transações e não enviou nenhuma.

Por ser uma carteira nova sem nenhuma transação, tudo indica que pertence a um usuário privado. Ou seja, a movimentação provavelmente representa um saque e não uma transferência entre exchanges. Isso quer dizer que quase 20 mil BTC foram retirados do mercado mesmo num momento de queda.

Em abril, o analista da Blockware William Clemente alertou que as exchanges estavam perdendo reservas de BTC a uma taxa raramente vista antes. Segundo dados da Glassnode, tal movimento aconteceu somente três vezes na história do BTC: duas em 2020 e uma em 2021.

Em dois dos três casos, o choque de oferta ocorreu logo antes de uma disparada nos preços. Foi o caso dos movimentos de outubro de 2020 (antes do BTC retomar os US$ 20 mil) e em setembro de 2021 (antes da máxima histórica de US$ 70 mil registrada em novembro).

“Em apenas 3 outras ocasiões vimos Bitcoins sendo retirados das exchanges a essa taxa”, escreveu Clemente.

ETFs de Bitcoin registram fluxo positivo

Assim como os saques de BTC das exchanges, a entrada da criptomoeda em grandes fundos também é um sinal de valorização. Nesse sentido, Wüstenfeld observou entradas significativas de BTC no ETF Purpose Bitcoin Spot.

Negociado no Canadá, este fundo possui BTC físicos como parte de suas reservas. Ou seja, quem compra as cotas do Purpose está exposto ao preço do BTC, e não a um índice ou contrato futuro.

Isso significa que o fundo compra BTC e armazena sob custódia para garantir o valor de suas cotas. Portanto, quando o fluxo de investimentos aumenta, significa, mais uma vez, mais BTC saindo do mercado.

De acordo com Wüstenfeld, o fundo comprou 2.900 BTC para suas reservas na quinta-feira (5). Este foi de longe o maior influxo diário de BTC na história do ETF. O valor foi maior do que os 2.200 BTC registrados em março de 2021, que era o recorde anterior.

“Uau! A maior entrada de todos os tempos foi registrada ontem para o ETF Bitcoin Purpose. Mais de 2.900 BTC adicionados em um dia. Com isso, o ETF possui atualmente 34.400 BTC sob gestão, cerca de 2.000 BTC abaixo do recorde histórico”, disse o analista.

Os ETFs são veículos de investimento em conformidade com as regulamentações disponíveis para investidores de varejo e instituições. Eles são o veículo mais eficiente para quem deseja se expor a algum mercado sem comprar o ativo diretamente.

No caso do BTC, muitos fundos e investidores são proibidos de comprar e custodiar diretamente a criptomoeda. Dessa forma, eles acabam recorrendo a fundos institucionais ou aos ETFs. Em suma, um aumento no influxo para esses fundos significa maior demanda pelo BTC no varejo e sobretudo entre os institucionais.

Por: Luciano Rocha

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